Recusa Familiar Específica de Doação de Ossos para Transplante
Palavras-chave:
Obtenção de Tecidos e Órgãos, Doadores de Tecido, Osso e Ossos, Banco de Ossos, EnfermagemResumo
Introdução: Os tecidos ósseos são utilizados em pacientes que necessitam de reparações ou reconstruções ósseas e em procedimentos odontológicos. Objetivos: Analisar os fatores associados e a tendência da recusa específica de doação de ossos de uma Organização de Procura de Órgãos (OPO) no estado de São Paulo, Brasil. Métodos: Estudo transversal realizado com dados de 1.713 termos de autorização de doação de órgãos e tecidos no período de 2001 a 2020, fornecidos por uma OPO do município de São Paulo. As variáveis do estudo foram: ano, faixa etária, sexo, causa do óbito, tipo da instituição hospitalar e ossos doados e recusados. A análise ocorreu por meio de estatística descritiva e inferencial, aplicando-se teste qui-quadrado, análise de tendência, regressão linear e regressão logística múltipla. Resultados: A doação de ossos foi recusada em 896 (52,30%) dos doadores efetivos, sendo a maioria do sexo masculino (513; 57,2%; p = 0,009) e com faixa etária de 41 a 59 anos (372; 41,5%; p = 0,018). De 2001 a 2009, ocorreu uma tendência decrescente nas recusas de doação de ossos nas faixas etárias de 0 a 11 anos e 12 a 19 anos; no entanto, a tendência foi crescente para as recusas de 60 anos ou mais. No período de 2010 a 2020, a tendência de recusas se manteve decrescente na faixa etária de 0 a 11 anos. De 2001 a 2020, a chance de pessoas recusarem a doação de ossos foi 24% mais baixa no sexo masculino (p = 0,001), 30% na faixa etária de 20 a 40 anos (p = 0,017), 46% na faixa etária de 41 a 59 anos (p < 0,001) e 51% na faixa etária de 60 anos ou mais (p < 0,001). Conclusão: No decorrer dos últimos anos, houve uma diminuição na taxa de recusa de doação de ossos, mas estratégias direcionadas às faixas etárias que envolvem os adultos jovens devem ser realizadas, visto que apresentam taxas mais altas de recusa.
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