Transplante Renal no Brasil no Período Peripandêmico
Enfim, nos Recuperamos?
Palavras-chave:
COVID-19, Transplante Renal, Obtenção de Tecidos e de Órgãos, EpidemiologiaResumo
Introdução: A pandemia de COVID-19 impactou significativamente os sistemas de saúde em todo o mundo, especialmente os programas de transplantes renais. Objetivo: Analisar a variação ocorrida nos registros de transplante renal no Brasil antes, durante e após a pandemia por COVID-19. Métodos: Trata-se de um estudo ecológico conduzido com base em dados do Registro Brasileiro de Transplantes, referentes ao período pré-pandêmico (2018-2019), pandêmico (2020-2021) e pós-pandêmico (2022-2023). Foram analisadas variáveis como número anual de transplantes, taxa de óbitos em lista de espera, e proporção de potenciais doares e doadores efetivos. Aplicou-se análise de variância para comparar os períodos, com significância definida em p < 0,05. Resultados: A média anual de transplantes renais caiu de 6.128 procedimentos no período pré-pandêmico para 4.803 durante a pandemia (-21,6%) e se recuperou para 5.682 no período pós-pandêmico, ainda abaixo dos níveis iniciais. A região Norte foi a única que retomou os níveis pré-pandêmicos de transplantes, enquanto outras regiões ainda registraram déficits. A taxa de óbito em lista de espera aumentou significativamente de 5,5% para 8,8% durante a pandemia e caiu para 5,7% no pós-pandemia (p < 0,0001). A proporção de potenciais doadores caiu de 54,2 pessoas por milhão de população (pmp) no período pré-pandêmico para 53,3 pmp durante a pandemia, alcançando 65,6 pmp no pós-pandemia. Conclusão: Os resultados do presente estudo sugerem que a pandemia de COVID-19 esteve associada a uma redução nas taxas de transplante renal e a um aumento na taxa de óbito em lista de espera durante o período pandêmico, acompanhados de sinais de recuperação parcial nos indicadores de doação e transplante renal no Brasil no período pós-pandêmico imediato.
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