Indicadores de Qualidade do Processamento e Uso de Escleras para Transplante no Brasil: Estudo Ecológico

Autores

  • Mayra Dias Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – Instituto Integrado de Saúde – Curso de Graduação em Enfermagem – Campo Grande (MS) – Brasil. https://orcid.org/0009-0007-3765-3928
  • Marcos Antonio Ferreira Júnior Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – Instituto Integrado de Saúde – Programa de Pós-Graduação em Enfermagem – Campo Grande (MS) – Brasil. https://orcid.org/0000-0002-9123-232X
  • Oleci Pereira Frota Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – Instituto Integrado de Saúde – Programa de Pós-Graduação em Enfermagem – Campo Grande (MS) – Brasil. https://orcid.org/0000-0003-3586-1313
  • Felipe Machado Mota Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – Faculdade de Medicina – Programa de Pós-Graduação em Doenças Infectoparasitárias – Campo Grande (MS) – Brasil. https://orcid.org/0000-0001-6094-3404
  • Aline Fernanda Alves Ribeiro Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – Instituto Integrado de Saúde – Programa de Pós-Graduação em Enfermagem – Campo Grande (MS) – Brasil. https://orcid.org/0009-0004-5783-2577
  • Bethânia Karoline Alvaro Menezes Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – Instituto Integrado de Saúde – Programa de Pós-Graduação em Enfermagem – Campo Grande (MS) – Brasil. https://orcid.org/0000-0003-1053-0788
  • Karina Angélica Alvarenga Ribeiro Universidade Federal do Rio Grande do Norte – Departamento de Enfermagem – Programa de Pós-Graduação em Enfermagem – Natal (RN) – Brasil. https://orcid.org/0000-0001-7513-7747
  • Giovanna Encinas Fernandes Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – Instituto Integrado de Saúde – Curso de Graduação em Enfermagem – Campo Grande (MS) – Brasil. https://orcid.org/0009-0001-9688-2225
  • Gabriel Aparecido de Oliveira Ferreira Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – Instituto Integrado de Saúde – Curso de Graduação em Enfermagem – Campo Grande (MS) – Brasil. https://orcid.org/0009-0009-7674-0279
  • Gustavo Yuzo Oshiro Shinohara Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – Instituto Integrado de Saúde – Curso de Graduação em Enfermagem – Campo Grande (MS) – Brasil. https://orcid.org/0009-0004-6482-1235
  • Matilde Delmina da Silva Martins Polytechnic University of Bragança – Escola Superior de Saúde - Research Center for Active Living and Wellbeing – Bragança – Portugal. https://orcid.org/0000-0003-2656-5897

Palavras-chave:

Esclera, Bancos de Olhos, Bancos de Tecidos, Eficiência, Transplante de Tecidos

Resumo

Introdução:  A escassez de tecidos oculares disponíveis para transplante representa um desafio para o Sistema Nacional de Transplantes brasileiro. A esclera tem importância clínica em cirurgias reconstrutivas e sua captação, preservação e distribuição dependem da eficiência dos Bancos de Tecidos Oculares Humanos. A análise de indicadores de qualidade permite identificar fragilidades e orientar estratégias para otimização do uso terapêutico. Objetivo:  Gerar indicadores de qualidade para análise do processamento e uso de escleras para transplante no Brasil. Método:  Estudo quantitativo, ecológico, descritivo, observacional, baseado no Relatório Nacional de Produção dos Bancos de Tecido Ocular Humano da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Foram incluídos 46 Bancos de Tecido Ocular Humano distribuídos pelas cinco regiões brasileiras. Os valores foram relativizados por milhão de população e calculados em cinco indicadores: taxa de aproveitamento de escleras preservadas, taxa de desqualificação, taxa de uso terapêutico, taxa de transplantes sobre o total de tecido preservado e índice de eficiência global. Comparações regionais foram realizadas com uso do teste de Kruskal-Wallis, pós-teste de Dwass-Steel-Critchlow-Fligner e épsilon quadrado para avaliar a magnitude das diferenças encontradas, todos com nível de significância de 0,05. Resultados:  Os Bancos de Tecido Ocular Humano preservaram 2.741 escleras em um ano, concentradas principalmente nas regiões Sudeste (33,4%) e Sul (24,4%). A taxa de desqualificação nacional foi de 23,5%, com variação de 11,6% no Centro-Oeste a 66,1% no Norte (p < 0,01). A taxa de aproveitamento foi maior no Sul (94,5%) e menor no Norte (26,6%), enquanto a taxa de uso terapêutico destacou-se no Sudeste (61,8%) e Sul (57,9%). A taxa de transplantes sobre o total de tecido preservado atingiu 74,9% no Sudeste e 76,5% no Centro-Oeste, em contraste com 32,9% no Nordeste. O índice de eficiência global variou de 40% (Nordeste) a 90% (Centro-Oeste), evidenciando desigualdade regional significativa. Conclusão:  Observaram-se desigualdades regionais na produção e no aproveitamento do tecido escleral, com melhor desempenho nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Norte e Nordeste apresentaram fragilidades operacionais e estruturais. Os achados reforçam a necessidade de padronização de processos, capacitação de equipes e fortalecimento da rede nacional com vistas a ampliar a disponibilidade e o uso terapêutico do tecido escleral.

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Publicado

2026-07-17

Como Citar

1.
Dias M, Ferreira Júnior MA, Frota OP, Mota FM, Ribeiro AFA, Menezes BKA, et al. Indicadores de Qualidade do Processamento e Uso de Escleras para Transplante no Brasil: Estudo Ecológico. bjt [Internet]. 17º de julho de 2026 [citado 27º de julho de 2026];29. Disponível em: https://bjt.emnuvens.com.br/revista/article/view/802

Edição

Seção

Artigo Original