Transplante Hepático por Síndrome Hepatopulmonar no Brasil: Incidência e Sobrevida

Autores

  • Letícia Peres de Souza Pontifícia Universidade Católica de Campinas – Faculdade de Ciências Médicas – Campinas (SP) – Brasil. https://orcid.org/0009-0007-1990-4180
  • Simone Reges Perales Universidade Estadual de Campinas – Faculdade de Ciências Médicas – Departamento de Gastroenterologia – Campinas (SP) – Brasil. https://orcid.org/0000-0003-2263-9254
  • Ilka de Fátima Santana Ferreira Boin Universidade Estadual de Campinas – Faculdade de Ciências Médicas – Departamento de Gastroenterologia – Campinas (SP) – Brasil. https://orcid.org/0000-0002-1165-2149

Palavras-chave:

Síndrome Hepatopulmonar, Transplante de Fígado, Taxa de Sobrevida

Resumo

Objetivo:  Analisar os transplantes hepáticos (TH) realizados por síndrome hepatopulmonar (SHP) no período de 2012 a 2024, caracterizando o perfil demográfico dos receptores e avaliando a sobrevida pós-transplante por meio de métodos padronizados de análise de sobrevida. Métodos:  Estudo observacional retrospectivo que incluiu 75 pacientes adultos submetidos ao TH por SHP grave. Os dados foram extraídos do banco de dados do Sistema Nacional de Transplantes do Brasil, cujos registros foram alimentados prospectivamente no período de 2012 a 2024. Realizaram-se análises descritivas seguidas de estimativas de sobrevida pelo método de Kaplan-Meier e testes de log-rank para comparação entre grupos. Um modelo multivariável de riscos proporcionais de Cox foi utilizado para avaliar preditores independentes de mortalidade. Análises exploratórias com teste t e análises de variância foram conduzidas para auxiliar a interpretação dos resultados. Resultados:  A coorte apresentou idade média de 48,75 anos, com 60% de receptores do sexo masculino e 40% do sexo feminino. A sobrevida global estimada pelo método de Kaplan-Meier foi de 72,7% em 1 ano e 63,6% em 3 anos após o transplante. A análise de Kaplan-Meier demonstrou uma tendência a melhor sobrevida entre os receptores do sexo masculino, embora essa diferença não tenha atingido significância estatística (log-rank p = 0,088; Cox p = 0,059). A distribuição racial incluiu 48% de pacientes pardos, 45,33% brancos e 6,67% negros; não houve diferença significativa de sobrevida entre os grupos raciais (log-rank global p = 0,63). Quando as etiologias diagnósticas foram agrupadas em categorias clinicamente relevantes, também não se observaram diferenças significativas de sobrevida (log-rank global p = 0,63). O modelo de Cox não identificou preditores independentes de mortalidade pós-transplante. Conclusão:  A sobrevida pós-transplante em pacientes transplantados por SHP no Brasil não diferiu significativamente de acordo com sexo, raça ou etiologia da doença hepática de base. As tendências observadas devem ser interpretadas com cautela devido ao tamanho amostral limitado. Esses achados fornecem dados relevantes em nível nacional e reforçam a necessidade de estudos multicêntricos com amostras maiores para melhor definição de fatores prognósticos nessa população.

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Publicado

2026-06-12

Como Citar

1.
Souza LP de, Perales SR, Boin I de FSF. Transplante Hepático por Síndrome Hepatopulmonar no Brasil: Incidência e Sobrevida. bjt [Internet]. 12º de junho de 2026 [citado 20º de julho de 2026];29. Disponível em: https://bjt.emnuvens.com.br/revista/article/view/789

Edição

Seção

Artigo Original