Impacto da Isquemia Fria Prolongada na Função de Enxertos Hepáticos em Transplantes de Fígado: Revisão Sistemática

Autores

Palavras-chave:

Isquemia Fria, Transplante de Fígado, Enxerto Hepático

Resumo

Objetivos:  Avaliar e comparar a eficácia de diferentes estratégias de conservação e pré-condicionamento na redução dos efeitos deletérios da isquemia fria prolongada (IFP) em transplantes hepáticos, analisando seu impacto na disfunção do enxerto, nos desfechos clínicos pós-transplante e nos fatores de risco associados ao receptor. Métodos:  Esta revisão sistemática foi conduzida de acordo com as diretrizes do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses. As buscas foram realizadas nas bases de dados PubMed, Biblioteca Virtual em Saúde e Cochrane Library, com a última atualização em fevereiro de 2025, resultando na identificação inicial de 198 estudos. Foram incluídos ensaios clínicos, estudos observacionais e metanálises publicados nos últimos 5 anos que analisam o impacto da isquemia fria em transplantes hepáticos. Após triagem rigorosa, 10 artigos foram selecionados, excluindo estudos considerados irrelevantes, com amostras reduzidas ou metodologia inadequada. Resultados:  A IFP está associada à disfunção do enxerto, necrose celular, inflamação, maior necessidade de suporte clínico e aumento de custos. Estratégias como perfusão hipotérmica oxigenada [hypothermic oxygenated perfusion (HOPE)], uso do sistema portátil de conservação de órgãos [Organ Care System (OCS)], pré-condicionamento isquêmico remoto e infusão de N-acetilcisteína (NAC) demonstraram potencial em mitigar os efeitos da IFP. Fatores como etnia, sexo, idade e tempo de transporte também influenciam os desfechos. A adoção dessas estratégias pode reduzir complicações pós-transplante e melhorar a sobrevida do enxerto. Conclusão:  A revisão demonstrou que a IFP é um determinante consistente da disfunção inicial do enxerto hepático, influenciando lesão de isquemia-reperfusão, inflamação e complicações biliares. Embora apenas um estudo tenha avaliado o tempo de isquemia fria [cold ischemia time (CIT)] como variável principal, todos os trabalhos incluídos confirmaram sua participação como fator de risco ou variável ajustada. Tecnologias como HOPE, OCS, NAC e pré-condicionamento isquêmico podem atenuar seus efeitos, mas não os eliminam completamente. Assim, a redução do CIT, associada a estratégias modernas de preservação e adequada seleção do doador, permanece essencial para melhorar os resultados do transplante hepático.

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Publicado

2026-05-18

Como Citar

1.
Rodrigues YM dos S, Branco LA, Messas GB, Fernandes JG, Vidal LA, Almeida RS, et al. Impacto da Isquemia Fria Prolongada na Função de Enxertos Hepáticos em Transplantes de Fígado: Revisão Sistemática. bjt [Internet]. 18º de maio de 2026 [citado 18º de agosto de 2026];29. Disponível em: https://bjt.emnuvens.com.br/revista/article/view/784

Edição

Seção

Artigo de Revisão