O Impacto da Pandemia do Vírus SARS-CoV-2 nos Transplantes de Medula Óssea no Brasil
Palavras-chave:
Transplante de Medula Óssea, Equidade em Saúde, Acesso aos Serviços de Saúde, EpidemiologiaResumo
Introdução: O transplante de medula óssea (TMO) é uma terapia consolidada para o tratamento de diversas condições de saúde. No Brasil, os procedimentos são registrados pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) e pelo Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS). A pandemia por COVID-19 fez com que os sistemas de saúde tivessem que se adaptar ao aumento da incidência do risco de morte. Objetivos: Avaliar o panorama dos TMO no Brasil no período de 2018 a 2024, comparando os períodos pré-pandêmico, pandêmico e pós-pandêmico quanto à frequência, tipo de transplante, registro e distribuição regional. Métodos: Estudo descritivo retrospectivo que utilizou dados sobre os TMO realizados no período de janeiro de 2018 a junho de 2024 a partir das bases de dados do SIH/SUS e da ABTO, que foram posteriormente analisados em ambiente R. Resultados: Foram registrados 21.164 TMO pela ABTO (61% autólogos) e 5.841 pelo SIH/SUS (predomínio de alogênicos). Observou-se redução dos procedimentos durante a pandemia, seguida de recuperação no período pós-pandêmico em ambas as bases (ABTO: +32,6% vs. período pandêmico; SIH/SUS: +29,1%). A ABTO manteve predominância de transplantes autólogos (≈ 58-61%), enquanto o SIH/SUS apresentou predomínio consistente de alogênicos (≈ 73-75%), principalmente de doadores aparentados. Houve forte concentração regional no Sudeste, especialmente em São Paulo, seguida pelas Regiões Sul, Nordeste, Centro-Oeste e Norte. As análises não demonstraram diferenças estatisticamente significativas entre Regiões, mas evidenciaram tendência de crescimento pós-pandêmico. Observaram-se heterogeneidade regional quanto ao tipo de transplante e marcada desigualdade na distribuição de centros transplantadores, com pior relação centro/paciente nas Regiões Norte e Centro-Oeste. Apesar das diferenças numéricas, as bases apresentaram padrões temporais e regionais convergentes. Conclusão: No período de 2018 a 2024, os procedimentos de TMO no Brasil sofreram impacto significativo da pandemia, com posterior recuperação em ambas as bases. Os achados evidenciam desigualdades estruturais no acesso ao transplante e reforçam a necessidade de maior integração e padronização dos sistemas de informação, além da expansão da infraestrutura em Regiões menos assistidas.
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