Temperatura de Pâncreas Durante o Transporte para Transplante: Estudo Pré-Clínico
Palavras-chave:
Pâncreas, Transplante de Pâncreas, Transplante de Órgãos, Logística, Isquemia FriaResumo
Objetivos: Comparar a viabilidade de pâncreas suínos transportados a frio estático em dois modelos de transporte. Métodos: Estudo pré-clínico prospectivo com delineamento caso-controle adaptado, realizado em órgãos de suínos Landrace. A coleta de dados foi realizada a partir de três variáveis: temperatura, avaliação macroscópica e histologia. As variáveis foram comparadas utilizando dois modelos de acondicionamento: o caso, Embalagem Autônoma e Inteligente para Cadeia Fria de Sistemas de Saúde (EMAIS-SR), e o controle, embalagem térmica convencional amplamente utilizada e preenchida com gelo. Para temperatura, foram utilizados três termômetros: dois para temperatura interna e um para temperatura de superfície. A avaliação macroscópica analisou coloração, integridade tecidual, consistência e presença de lesões, edema ou hematomas no órgão. Para histologia, as amostras foram fixadas e coradas por hematoxilina-eosina, que possibilita a visualização da morfologia tecidual em microscopia óptica seguida de análise imuno-histoquímica. Resultados: Foram realizadas 10 cirurgias experimentais; seis pâncreas foram acondicionados a frio estático e transportados em embalagem com refrigeração ativa, enquanto quatro foram transportados em embalagem convencional com gelo. Dentre os casos, somente um pâncreas apresentou temperatura de saída mais alta (12,1 °C) que a preconizada de até 8 °C. Contudo, frente à avaliação macroscópica, o órgão com temperatura mais alta após o transporte apresentou melhor avaliação, enquanto os demais mantiveram avaliação macroscópica qualitativa. Na análise histológica, em média, os pâncreas transportados na embalagem de refrigeração ativa demonstraram melhor qualidade tecidual por apresentarem estruturas celulares mais preservadas. Conclusão: O estudo demonstrou, por meio de modelo experimental pré-clínico, que, apesar de terem sido mantidos em padrão de temperatura recomendado, os órgãos preservados na solução tecnológica EMAIS-SR, que não utiliza gelo, demonstraram-se mais bem preservados. Ademais, o único caso em que houve temperatura superior, ou seja, em que o órgão aqueceu após acondicionamento, ocorreu na embalagem tradicional com gelo. A pesquisa instiga a realização de novos e mais robustos estudos acerca de decisões clínicas sobre limites térmicos seguros e boas práticas para o transporte de pâncreas destinados ao transplante.
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