Reinserção no Mercado de Trabalho de Transplantados de Fígado: Evidências de Uma Unidade de Transplante

Autores

  • Laísa Darlem da Silva Nascimento Universidade Federal de Pernambuco – Centro de Ciências Sociais e Aplicadas – Departamento de Economia – Recife (PE) – Brasil. https://orcid.org/0000-0003-3297-534X

Palavras-chave:

Transplante de Fígado, Hepatopatias, Atenção à Saúde, Qualidade de Vida, Mercado de Trabalho

Resumo

Introdução:  O transplante de fígado pioneiro no mundo ocorreu em 1º de março de 1963. No Brasil, a iniciativa para esse procedimento ocorreu em 1968, no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. O transplante hepático (TxH) só deve ser indicado quando estiverem esgotados os métodos terapêuticos convencionais, sendo a probabilidade de sobrevida e a qualidade de vida maiores com a realização do procedimento. Objetivos:  Analisar estatística e econometricamente a reinserção no mercado de trabalho de pacientes pós-TxH acompanhados em uma unidade de transplante de fígado do estado de Pernambuco que realizaram o procedimento no período de 2012 a 2021. Métodos:  Realizou-se um estudo descritivo, transversal, com abordagem quantitativa, na Unidade de Transplante de Fígado (UTF) do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC). Foram utilizados os seguintes critérios de inclusão: idade a partir de 18 anos, pacientes que estavam inseridos no mercado de trabalho antes do TxH e trabalhadores do mesmo setor não submetidos ao procedimento. Para a análise dos dados coletados, foi utilizada a técnica estatística difference-in-differences, event study, visto que a terapêutica do grupo tratado ocorreu em ocasiões diferentes no período pesquisado. Nesse determinado período, os indivíduos que ainda não receberam o tratamento cirúrgico se comportam como grupo-controle daqueles que já foram submetidos ao TxH. Resultados:  O TxH reduziu em 20% as chances de empregabilidade dos pacientes acompanhados na UTF do HUOC, apesar do aumento da sobrevida desses pacientes após o procedimento. Conclusão:  O estudo concluiu que a alta taxa de desemprego entre a população transplantada indica que esses indivíduos estão mais predispostos à empregabilidade informal, ocasionando maior tendência a doenças infectocontagiosas e menor índice de escolaridade, devido à menor oportunidade de aprimoramento profissional.

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Publicado

2025-03-17

Como Citar

1.
Nascimento LD da S. Reinserção no Mercado de Trabalho de Transplantados de Fígado: Evidências de Uma Unidade de Transplante. bjt [Internet]. 17º de março de 2025 [citado 27º de março de 2025];28. Disponível em: https://bjt.emnuvens.com.br/revista/article/view/651

Edição

Seção

Artigo Original